Pilares e práticas da arquitetura cradle to cradle 

À medida que os recursos naturais se tornam mais escassos, e as cidades, mais complexas, a arquitetura é desafiada a repensar seus processos de concepção e construção. Projetar deixa de ser apenas uma questão de forma e função e passa a considerar o ciclo completo dos materiais, da origem ao destino. 

Nesse contexto, surge o conceito de cradle to cradle, baseado em um sistema contínuo no qual materiais são planejados para circular e serem reutilizados e reintegrados a novos ciclos produtivos, reduzindo a geração de resíduos e o consumo de recursos finitos. 

O que é arquitetura cradle to cradle 

O conceito de cradle to cradle, também conhecido pela sigla C2C, foi apresentado no início dos anos 2000 pelo arquiteto William McDonough e pelo químico Michael Braungart no livro Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things.

A proposta parte de uma mudança essencial de perspectiva: substituir a lógica linear de produção, que se encerra no descarte, por um sistema contínuo, em que materiais e recursos circulam de forma inteligente e regenerativa. Nesse modelo, cada componente é pensado como um “nutriente”, inserido em um ciclo capaz de se renovar sem gerar resíduos. 

Embora possa ser aplicado a diferentes escalas e produtos, é na arquitetura que esse conceito mostra toda a sua complexidade. Projetar edificações sob essa lógica exige considerar não apenas o uso imediato, mas também o futuro de cada material empregado. 

Assim, o intuito é criar estruturas capazes de serem desmontadas, adaptadas e reintegradas a novos contextos, favorecendo a reutilização e reduzindo impactos ao longo do tempo. Iniciativas como os passaportes de materiais, que registram e organizam informações detalhadas sobre os componentes de um edifício, reforçam essa abordagem ao preparar cada elemento para um novo ciclo de vida. 

O cradle to cradle propõe uma forma de pensar a construção como parte de um sistema maior, em que escolhas conscientes orientam desde a seleção de materiais até a autonomia dos edifícios. 

Entre os princípios que sustentam essa lógica estão a eliminação de substâncias tóxicas, a priorização de materiais recicláveis e separáveis, o uso de recursos e técnicas locais e a busca por soluções que integrem geração de energia e gestão eficiente da água.  

Trata-se, assim, de uma arquitetura que contribui ativamente para a regeneração do ambiente em que está inserida. 

Região do Parque Barigui, em Curitiba | Foto: Marcelo Araújo  

Por que a arquitetura cradle to cradle é relevante 

A pressão sobre os recursos naturais e o impacto da construção civil tornam indispensável a adoção de modelos circulares. O setor da construção é um dos maiores consumidores de matérias-primas e geradores de resíduos no mundo, o que reforça a necessidade de soluções de longo prazo. 

A arquitetura cradle to cradle responde a esse cenário ao propor edifícios mais eficientes ao longo de todo o seu ciclo de vida, reduzindo desperdícios, ampliando a reutilização de materiais e promovendo maior responsabilidade ambiental desde a concepção do projeto. Ou seja, trata-se de redesenhar a forma como os edifícios interagem com o ambiente urbano e com os recursos disponíveis. 

A aplicação do conceito nos projetos Laguna 

A incorporação de fontes de energia limpa nos empreendimentos reflete uma escolha que vai além da eficiência imediata. Ao integrar soluções que favorecem a geração própria e o uso consciente de recursos, os projetos passam a operar com maior autonomia, reduzindo a dependência de sistemas externos e contribuindo para uma matriz energética mais equilibrada.  

No TREVI Batel, essa lógica se traduz no sistema de painéis fotovoltaicos, pelo qual a energia solar será suficiente para carregar um carro elétrico com 38 km de autonomia diária por apartamento. A energia gerada também poderá ser utilizada no consumo da unidade, proporcionando até 12% de economia energética.  

Acesso | TREVI Batel  

No LLUM Batel, o uso de módulos fotovoltaicos aliado a soluções como iluminação LED, sensores inteligentes e aproveitamento da luz natural resulta em um desempenho cerca de 15% superior ao padrão estabelecido pelo LEED.  

Já a Galeria Laguna amplia essa estratégia ao alcançar a autossuficiência energética em relação ao abastecimento de água, com geração suficiente para suprir 100% da demanda do edifício, e a destinação correta de resíduos, além de ter conquistado o título de empreendimento mais sustentável do mundo em 2022.  

Fachada Galeria Laguna | Foto: Eduardo Bragança 

A escolha criteriosa de materiais reforça esse compromisso ao considerar não apenas a estética, mas também a durabilidade, a origem e o impacto ambiental de cada elemento. Ao priorizar insumos de baixa emissão e com procedência responsável, os projetos contribuem para a redução de gases de efeito estufa e para a qualidade ambiental interna dos espaços.  

Já o BIOOS evidencia esse cuidado ao integrar materiais de baixa emissão, como compostos orgânicos voláteis (COVs) em tintas, adesivos e selantes específicos, a soluções eficientes de uso de energia e água.   

No caso do ZAHI Taunay, tecnologia e arquitetura autoral se encontram para criar uma experiência de moradia que alia conforto, desempenho e eficiência. As soluções adotadas no empreendimento contribuem para o uso mais inteligente dos recursos, reduzindo o consumo sem abrir mão da qualidade. 

Entre as iniciativas, estão as placas fotovoltaicas, que podem gerar uma redução de até 2.000 kWh no consumo de energia das áreas comuns de acordo com as condições climáticas ao longo do ano. O empreendimento também conta com soluções para o uso responsável da água, como o aproveitamento da água da chuva para irrigação e limpeza das áreas comuns e a utilização de metais e louças de baixa vazão, capazes de reduzir entre 33% e 50% o consumo em relação a itens convencionais*.  

Além disso, quando há viabilidade técnica e os parâmetros de qualidade são atendidos, o poço artesiano pode contribuir para o atendimento integral da demanda de água potável. 

*Considerando o uso do chuveiro por 10 minutos/dia, em uma residência de 4 pessoas a redução seria de 50%. Para as torneiras, a redução é de 33% nas cozinhas e de 45% nos banheiros. Dados comparados com o uso de metais convencionais com vazão de 15 L/min. 

Essa mesma lógica orienta empreendimentos como AMPIO, PINAH e VAZ Batel, nos quais a seleção de materiais e os processos construtivos são pensados para reduzir impactos e prolongar o ciclo de vida das edificações. 

Detalhe fachada | ZAHI Taunay 

Gestão de materiais e circularidade na prática

A lógica cradle to cradle também se reflete na gestão de resíduos e no controle de materiais durante a construção. A Galeria Laguna se destaca nesse contexto ao estruturar processos rigorosos de gestão de resíduos, com iniciativas que garantem destinação adequada e reforçam sua atuação como referência em práticas circulares – 98% dos resíduos não vão para aterros, sendo compostados ou destinados para reciclagem.  

Essa prática é atestada pelo TRUE Zero Waste, que é um programa que certifica o desperdício zero nos empreendimentos medindo, melhorando e reconhecendo o desempenho de construções sustentáveis. Além disso, a Galeria Laguna também conta com o selo LEED Zero. Para conquistar um selo LEED Zero, o projeto precisa comprovar, por meio de medições ao longo de 12 meses de operação, que atingiu neutralidade na área correspondente:  

  • LEED Zero Water: o consumo de água potável da rede pública é inferior ao volume de água alternativa potabilizada e utilizada. 
  • LEED Zero Waste: mais de 90% dos resíduos gerados são desviados de aterros sanitários. 
  • LEED Zero Carbon: todas as emissões de carbono geradas em operação são evitadas ou compensadas, resultando em impacto líquido zero. 

Nos empreendimentos AMPIO e VAZ Batel, a eficiência na gestão de resíduos se alia à busca por qualidade ambiental interna, enquanto o TREVI Batel amplia esse impacto com soluções como sistemas de gerenciamento e reaproveitamento da água da chuva para limpeza e irrigação, além de estratégias de eficiência energética. 

Fachada AMPIO | Foto: Eduardo Macarios  

A gestão responsável de resíduos, por sua vez, começa no canteiro de obras e se estende por todo o ciclo do empreendimento. Processos bem definidos, aliados à separação e à destinação correta dos materiais, reduzem desperdícios e tornam a construção mais eficiente e organizada. 

Entre os diferenciais sustentáveis do edifício, estão o consumo de energia 34% menor que um empreendimento comum, o consumo de água reduzido em cerca de 30% graças a metais e louças eficientes, uma estação de tratamento que possibilita o reúso da água da chuva para atender a 100% da demanda da Galeria Laguna, pontos de recarga para carros e bicicletas elétricas, renovação de ar automática que reduz a concentração de CO2 no ambiente, central de resíduos, reciclagem e compostagem de orgânicos e placas fotovoltaicas que geram 100% de energia consumida no local.  

Em 2015, a Laguna deu mais um importante passo em inovação e construção sustentável com o LLUM Batel, o primeiro residencial do Brasil a conquistar a pré-certificação LEED Gold. Para ser considerado um edifício “verde”, é preciso comprovar ao longo de todo o processo construtivo que ele efetivamente atendeu aos requisitos propostos no processo de certificação, englobando a proteção ao meio ambiente e o bem-estar dos moradores. Entregue em 2019, teve a certificação conquistada em janeiro de 2020. 

Entre as características sustentáveis do projeto estão a priorização da iluminação natural, a geração de energia renovável por meio de painéis fotovoltaicos, o sistema de abastecimento de carros elétricos e a utilização de materiais certificados, reciclados e regionais. Além disso, em comparação com os padrões estabelecidos pelo LEED, no LLUM os ambientes são cerca de 60% mais confortáveis termicamente e consomem 15% menos energia e 20% menos água.  

Galeria Laguna: experiência e materialização do conceito  

Cada projeto reafirma o compromisso da Laguna com uma arquitetura autoral, que integra inovação, performance e sustentabilidade em uma mesma visão. Para quem deseja olhar de perto e compreender como esses princípios se materializam em imóveis-arte, a Galeria Laguna se apresenta como um convite à imersão nesse universo. 

Ambiente interno da Galeria Laguna | Foto: Eduardo Bragança 

No espaço, é possível explorar os diferenciais de cada empreendimento, sua performance construtiva e a essência que orienta projetos pensados para se tornarem inconfundíveis. 

Localizada na Avenida do Batel, 1713, a Galeria Laguna funciona de segunda a sexta-feira das 9h às 19h, aos sábados das 9h às 18h e aos domingos das 10h às 17h.  

Desde 1996, a Construtora e Incorporadora Laguna vem desenvolvendo empreendimentos únicos, que possuem arquitetura diferenciada e design inovador. Além disso, somos a construtora com mais projetos sustentáveis do Sul do país. Saiba mais

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